Aos 35 anos, olhar para o futuro que me aguarda, como eu fazia aos 18, pode ser um belo olhar pela velhice com suas limitações.Enquanto escrevo essas inquietações, as crianças e Jonh brincam na neve. Ao olhar essa cena, do meu marido brincando com nossos filhos, volto no tempo que eu imaginava como seria este momento. No tempo que eu duvidada da minha capacidade de ter uma família, da minha capacidade de despertar o amor num homem. O tempo que eu tinha medo de ser igual a minha avó ou igual a minha mãe ou tias. Sou uma mulher, naquele tempo, eu era uma menina. Minha bagagem de experiências aumentou. Descobri em mim uma porção de sentimentos que mal sabia que podia sentir. Ao meu olhar no espelho, vejo traços da menina de outrora: os olhos grandes demais, os lábios, os cabelos e as mãos de que eu tanto gosto. Existem mais traços dela dentro de mim do que fora.
Veja bem, não estou me lamentando por não ter mais 18. Na verdade, agradeço por ter 35 anos. A vida passa diante dos meus olhos mais bela. Claro, tenho meus medos, inseguranças, problemas, afinal sou humana...Me desculpe, tenho que ir. Estou sendo solicitada no jardim, onde uma guerra de neve irá ser declarada a qualquer momento. O grito de “Jé” que minha mãe dava quando eu tinha 18 anos, hoje virou “Mum” dado pelo meus filhos. Apesar das pessoas diferentes que os dão, servem para chamar a mesma pessoa. Mudam-se os nomes, mas a essência fica.